Há muitos anos, quando comecei a namorar meu marido, pensei: encontrei a pessoa que se encaixa no poema! Ainda bem que ainda me sinto assim...tantos anos depois!
O poema é Metempsicose, de Soares da Cunha, e está no livro "Os mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou", publicado por J.G.de Araújo Jorge em 1963.
Talvez, em outros dias, outra Idade,
numa vida passada que tivemos,
e da qual, muitas vezes, a saudade,
em horas de abandono, padecemos;
Talvez (quem é que sabe da verdade?)
habitando outro corpo, que perdemos,
- nalgum belo país da antiguidade,
foi que, primeiro, nós nos conhecemos.
Assim, por isso é que, depois, querida,
nas aventuras da presente vida,
ao te encontrar pelo primeiro dia,
cá dentro, qualquer coisa me falava
que, não sei de onde, já te conhecia,
e, desde não sei quando, já te amava...
Pelo Houaiss, metempsicose é "o movimento cíclico por meio do qual um mesmo espírito, após a morte do antigo corpo em que habitava, retorna à existência material, animando sucessivamente a estrutura física de vegetais, animais ou seres humanos", ou seja, reencarnação.
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